quarta-feira, março 05, 2008

A tropa, que bicho estranho será este?

Em 19 de Novembro de 2004, quando o Dr. Paulo Portas era ministro da Defesa Nacional, foi extinto oficialmente o Serviço Militar Obrigatório (SMO).
Acabou a tropa!
A tropa era entendida pelo comum dos cidadãos como o período em que os jovens do sexo masculino tinham, obrigatoriamente, de se integrar nas estruturas de Exército, da Armada ou da Força Aérea, para cumprirem um período de instrução e outro de execução de tarefas ou missões no âmbito de um desses ramos das Forças Armadas.
Não sei quando começou a tropa, mas foi há muitas décadas, séculos talvez, presumivelmente com intermitências.
Quando era rapazinho, mais precisamente até 1961, ano em que começou a Guerra Colonial, lembro-me de ver os mancebos que eram apurados para o serviço militar, no próprio dia da inspecção, virem para a rua em grupos, já bem bebidos, tocando e cantando a sua satisfação por terem sido apurados. Era a prova oficial de que eram tipos sadios. Os que ficavam livres por cunha também estavam satisfeitos embora não o manifestassem publicamente, por decoro. E havia os que livravam por doença ou mal formação. Esses eram os menos alegres, mesmo quando a causa da recusa por parte dos médicos inspectores fosse um simples pé chato.
Isto presenciei eu em aldeias ou vilas. Também nas cidades me lembro vagamente de ver essas trupes jovens e folgazonas.
Antes desse período em que fui testemunha ocular dos factos descritos, penso que, pelo menos nos anos sequentes ao fim da Segunda Grande Guerra, também teriam ocorrido.
Mas o que eu mais gostaria de relevar é que, apesar de o fazer inconscientemente (penso), essa rapaziada estava a comemorar o segundo corte do cordão umbilical.
Brevemente saíriam de casa dos pais, com grande mágoa das mães, principalmente; abandonariam a sua terra natal; iriam conhecer outra vida, outras terras, outras gentes.
Emancipados.
Essa era umas das grandes vantagens que tinha o Serviço Militar Obrigatório: a libertação das tutelas paterna e materna!
Ela era particularmente útil para aqueles moços que tinham sido educados com demasiada protecção familiar. Muitos desses regressavam radicalmente modificados. Muitos outros já não mais queriam viver no torrão onde haviam nascido.
Num aparte, queria lembrar que todos os recrutas tinham de rapar o cabelo “à escovinha”. Curtíssimo. Ao contrário do que eu muitas vezes ouvi dizer, que era para não se aterem a mariquices e se tornarem verdadeiros homens, a razão da obrigatoriedade desse corte residia muito prosaicamente na necessidade de evitar que nas casernas os parasitas do cabelo e couro cabeludo proliferassem, pois os padrões de higiene eram, na época, incomparavelmente menos exigentes do que os actuais.
Mas, a partir de 1961, tudo mudou!
A vontade de ir para a tropa desvaneceu-se e transformou-se em vontade de não ir. E com as notícias que eram veiculadas, sobretudo pelos que tinham estado na guerra, cada vez mais crescia a vontade de ficar livre, o que era contrariado por um cerco cada vez mais apertado das autoridades para recrutar o maior número de mancebos possível.
Lembro-me de quando fui à inspecção em 1967 estar lá um rapaz com paralisia cerebral, portanto com toda aquela descoordenação motora que é por demais conhecida. Pois os três médicos inspectores não livraram o moço. Remeteram a responsabilidade dessa decisão para uma junta médica especial.
Durante o período da guerra, além de indesejada pelos jovens, não só pelo risco fortemente acrescido de serem feridos ou mortos mas também pelo período longo que os afastava da família e de uma actividade profissional, a tropa tornou-se cada vez mais impopular.
Depois de 1974 o Serviço Militar Obrigatório foi perdendo importância.
Mas, curiosamente, constato que quem pior fala dela são os que nunca lá estiveram. Provavelmente, ter-lhes-ía feito muito bem passar uma temporada a aprender a obedecer e a desenrascar-se.
Os que lá estiveram acabam por, em muitos casos, a considerar uma experiência pessoalmente enriquecedora.
Mas as coisas são como são e um dia, não sei quando, uma guerra qualquer provavelmente obrigará os responsáveis pela nação a reintroduzir o Serviço Militar Obrigatório.
Antes não fosse preciso! - na voz de José Ferreira Rodrigues, 60 anos

quarta-feira, novembro 14, 2007

Pausa para refletir....

Talvez devesse perder o medo de ter medo e aceitar que sem medo não seria humano…
Não me coloco perguntas sobre o verdadeiro sentido das coisas, questiono-me sobre as minhas atitudes e motivos, sobre o efeito das minhas decisões a marca das minhas palavras nos meus passos…
Talvez devesse parar por momentos e não pensar em função de todas e quaisquer situações imagináveis, não mastigar lentamente as ideias com medo de me engasgar com o resultado das minhas acções e morrer por isso…
Não me interrogo sobre a importância do que tenho e vivo muitas vezes em função de retratos de ontem, saudoso de pessoas, momentos, momentos e pessoas, pessoas de um momento, momentos de uma pessoa, momentos com uma pessoa, momentos meus…
Talvez devesse acreditar apenas no que tenho entre mãos, guardá-lo num abraço, dar-lhe um beijo, amá-lo naquele instante, sem medo, sem pensar que amanhã poderá estar ou desaparecer, sem pensar que já houve momentos em que tanto amei ou fui feliz ou triste…
Não me escondo de mim porque não sei mentir a mim mesmo nem esconder ao espelho as imperfeições e rugas da minha alma, da minha consciência, não sei mentir-me, embora por vezes tente e me esforce, é tão mais fácil mentir a alguém que não a nós próprios…

terça-feira, outubro 16, 2007

Que coisa mais engraçada?!

Hoje descobri isto:


E não é que isto funciona mesmo? Eu já usava a conta Paypal à bastante tempo, mas nunca imaginei que podia ganhar dinheiro com ela! Sinceramente recomendo, pois basta vermos uns sites que eles nos dizem e escrever algo sobre eles e pronto, lá vai um dinheirinho por não fazer "quase" nada!

segunda-feira, outubro 08, 2007

QUAL É A SUA PROBABILIDADE DE FICAR MILIONÁRIO?

Recentemente vi um daqueles testes que ninguem diz que faz mas que acabam sempre por dar uma espreitadela, e particularmente este chamou-me à atenção por causa do título: "QUAL É A SUA PROBABILIDADE DE FICAR MILIONÁRIO?" ora pensei eu, que se lixe....

Eis o resultado:



Bem... gostei particularmente da frase "Você vai ser milionário Dia de São Nunca à Tarde"

quarta-feira, outubro 03, 2007

Pelo Fim da Caça no Baixo Vouga

Talvez devesse perder o medo de ter medo e aceitar que sem medo não seria humano… e por ser humano é que sou a favor do Movimento criado por José Cláudio Vital e espero sinceramente que se encontre a solução ideal para todos os seres vivos, isto tudo porque, eu não me coloco perguntas sobre o verdadeiro sentido das coisas, questiono-me sobre as minhas atitudes e motivos, sobre o efeito das minhas decisões a marca das minhas palavras nos meus passos…
Talvez devesse parar por momentos e não pensar em função de todas e quaisquer situações imagináveis, não mastigar lentamente as ideias com medo de me engasgar com o resultado das minhas acções e morrer por isso…
Não me interrogo sobre a importância do que tenho e vivo muitas vezes em função de retratos de ontem, saudoso de pessoas, momentos, momentos e pessoas, pessoas de um momento, momentos de uma pessoa, momentos com uma pessoa, momentos meus…
Talvez devesse acreditar apenas no que tenho entre mãos, guardá-lo num abraço, dar-lhe um beijo, amá-lo naquele instante, sem medo, sem pensar que amanhã poderá estar ou desaparecer, sem pensar que já houve momentos em que tanto amei ou fui feliz ou triste…
Não me escondo de mim porque não sei mentir a mim mesmo nem esconder ao espelho as imperfeições e rugas da minha alma, da minha consciência, não sei mentir-me, embora por vezes tente e me esforce, é tão mais fácil mentir a alguém que não a nós próprios…

EDIT: De entre muitos bloggers do Concelho de Estarreja temos o "Noticias da Aldeia" que melhor explicou o que se passa, ver aqui