segunda-feira, dezembro 18, 2006

Hoje 4 - A realidade

Hoje, primeiro dia de trabalho num novo sitio, hoje e só hoje, as primeiras impressões fizeram o que os outros vão achar de mim. Hoje e só hoje, senti que se calhar isto não era bem o que eu queria, cheguei a um sitio em que tudo é um "deixa a andar" e "vieste para cá por escolha", foram as frases que mais ouvi, além do habitual "aqui todos nos damos bem, não entres em litigios". Hoje e só hoje, descobri a realidade de algo surreal, e para dizer a verdade, à coisas que não se compreendem... isto pode parecer, à vista desarmada, tudo assim um bocado esquecito, mas eu digo-vos. Vou deixar andar até ao final de semana e quando lá chegar vou fazer a análise à nova situação: "O que está mal? Será que posso mudar alguma coisa? Será que eu é que estou mal habituado? Estarei arrependido em ter ido para onde fui?"

Enfim.... :-(
Até lá, um grande abraço para todos os meus amigos que ficaram para trás!

domingo, dezembro 17, 2006

Hoje 3 - A felicidade!

Grandes e espectaculares noticias para mim amigo. Afinal o que escrevi em Hoje 2 já não é verdade. Amanha apresento-me no meu novo local de trabalho com as novas pessoas e com a nova maneira de trabalhar. Hoje, mas só hoje, sinto-me contente e triste, contente por estar mais perto de casa e triste por ter deixado os meus amigos. Mas é assim mesmo, temos de ter em consideração que chegamos a uma fase da nossa vida em que nos sentimos de tal forma perdidos, que não fazemos a mínima ideia do que será mais correcto fazer. Sentimo-nos presos ao passado e procuramos cortar com o mesmo, tememos um futuro sem quaisquer certeza e avançamos às cegas, andamos ao sabor de qualquer coisa sem qualquer nexo...
Tou farto disto...

terça-feira, dezembro 05, 2006

Por vezes...

Por vezes fico lixado com determinadas coisas:

Sei que é complicado por exemplo quem trabalha por turnos num determinado sitio aonde não pode sair e a comida não é do seu agrado, o que é que acontece? Vamos pedir a alguem para trazer MAC... até aqui tudo bem, acontece é que quando sou eu que estou a trabalhar e peço a uma pessoa que até está a vir para o trabalho e passa num MAC, a resposta é "Se eu passar eu logo vejo..." isto quer dizer o quê? Possa, agora as situações foram eu é que podia ir buscar e simplesmente porque não me apetecia, e até porque fui comer à cantina, não quiz ir lá fora, a resposta já foi diferente "Comigo já sabes quando estiver a chover se me pedires para ir ali ou acolá podes esquecer". Eu chamo a isto vingativismo, quer dizer não me apetece lá ir e sou obrigado? Fisga-se qualquer dia andamos a comer no mesmo prato não? Chiça, por favor... eu tenho mais que fazer do que andar com estas "criancisses"!

Mas uma cena que me lixa mesmo é que depois eu fico todo cheio de remorsos de não ter lá ido, e sei, e isso ainda me lixa mais, é que todos falaram algo como "Este gajo sinceramente foi mesmo cabrão" mas dizer na frente tá queto! Fisga-se para mim acabou-se! Eu já não peço favores a ninguem exatamente por causa disso!

Hoje 2

Hoje, vulgo Segunda-Feira dia 4 de Dezembro, verifiquei que afinal a vida não me sorriu e não me deixou voltar de vez para a minha "terrinha"! Hoje, mas só hoje, mesmo cheio desta imensidão a que eu chamo tristeza verifiquei que muitos AMIGOS meus ficaram contentes de eu não ir, realmente isso tocou-me no coração. Toda a gente sabe que mais tarde ou mais cedo por mais importante ou não que a pessoa tenha sido ela caí no esquecimento, mas hoje e só hoje, ouvi de muitas bocas dizerem que ficam tristes por eu não poder ter uma vida melhor mais perto de casa, mas ao mesmo tempo ficam contentes por saberem que poderam continuar a contar comigo para o que quiserem, tal como eu deles. Apesar de tu, leitor deste blog, pensares que poderia ter sido o copito a mais a falar realmente acredito que não. Sei que um dia, e esse dia está muito longe, quando eu deixar estes AMIGOS, vou sentir a falta deles, e se calhar ainda mais do que se me fosse embora agora para a semana, sim... Descobri hoje, e só hoje, que na realidade nem tudo é assim tão mau, nem todos "desgostam" de mim... na realidade gostam é demais para me verem partir. Amigos, grandes amigos a quem eu no inicio só chamava de conhecidos, HOJE, e só HOJE, sinto-me honrado em dizer que aqui neste lugar de muitas tormentas e algumas alegrias descobri VERDADEIROS AMIGOS, daqueles do peito! Obrigado por me terem aceite nesta vossa sociedade e com isto de eu não ser transferido ainda vai ser pior cá ficar, pois alguma indiferença que eu podesse ter para com todos vós, agora já não tenho, e sinceramente quando esse dia MALDITO chegar eu vou sentir a vossa falta, seja ele quando for e seja ela grande ou pequena se tiver que ser
Enfim, cá andamos perdidos desta vida de desilusões, mas como disse um novo chefe meu "Nós somos todos um livro, e podemos mudar ou até rasgar a página mas o livro continua lá, e nós continuamos a escrever novas páginas", sinceramente espero que (e agora repetindo um bocado) tal como disse um grande amigo meu, LI, "uma porta fecha-se outra se abre". Concordo com os dois e espero sinceramente que tudo fique bem com voces e comigo.

UM GRANDE ABRAÇO MEUS AMIGOS!

sábado, dezembro 02, 2006

O encontro do antes e do depois...

O antes e o depois não podem ter lugar num espaço comum, seria o fim do conceito de tempo...
Há muitos anos que não entrava naquele local. Um café dos meus tempos de estudante de secundário. Pedi um café e uma água. O dono do café, o mesmo que tantas vezes me emprestava a mim e aos meus amigos um baralho de cartas para jogarmos à sueca entre horas livres e aquelas que nós fazíamos ser livres, acenou-me um meio sorriso simpático e olhou-me como se a minha cara não lhe fosse estranha, mas a incerteza talvez não lhe tenha permitido fazer-me qualquer pergunta. Sentei-me nas mesas da sala de dentro, o “cantinho dos fumadores”, e senti-me estranho, mentiria se disse-se que me sentia como há anos atrás entre uma torrada e um galão e um maço de tabaco comprado a meias com um amigo no primeiro intervalo da manhã. Não, não me senti assim, senti que o tempo passou, mesmo as mesas sendo as mesmas, mesmo o dono mantendo o seu sorriso simpático, mesmo que na mesa ao lado da minha houvessem 4 putos a jogar à sueca com um maço de tabaco acabado de abrir, senti que o tempo passou e senti que ali, apenas restavam fragmentos de um eu tão distante de quem hoje sou.
Bebi o meu café, bebi a minha água, fumei o meu cigarro, paguei com uma moeda de 1 euro e um boa tarde obrigado e saí. Antes nunca sairia dali sem um pacote de pipas para comer nas aulas de História, ou um punhado de rebuçados que deixavam a língua vermelha, tudo com apenas uma moeda de 100 escudos ou menos. Entrei na minha antiga escola, também já há alguns anos que não o fazia, agora até têm um sistema para impedir a saída ilegal dos alunos. Os mesmos corredores, aquele cheiro estranho que nunca consegui entender o que era, mas que se espalhava pelos corredores e entrava pelas salas adentro, que se entranhava nas mesas e nas cadeiras, nos quadros de giz, nos livros de ponto, na voz dos professores, na minha mochila, na minha roupa, nos meus colegas, que se espalhava por toda a parte.
Entreguei-me em passos pelo pátio da escola. Os cantos e recantos de antes, já não existem os bancos de madeira de tantas manhãs e tardes, estes são outros, estes não guardam as conversas intermináveis entre amigos, os desabafos, os namoros entre aulas, tantas e tantas gargalhadas e sorrisos dos mais diversos feitios e cores. Cruzei-me com um pouco de mim por aqui e por acolá, mas não creio que me tenha reconhecido, não creio que fizesse sentido sequer falarmos, quanto mais que esse meu eu me tivesse reconhecido e se tivesse dirigido a mim com um aperto de mão e me pedisse um cigarro ou lume depois de uma aula de educação física. Não faria sentido. Não sei o que lhe diria se ele agora me perguntasse sobre os sonhos de antes, os medos, o que faço agora, se amo alguém, se sou feliz, se consegui o queria, não sei. Talvez lhe mentisse sobre algumas coisas e talvez disse-se a verdade sobre outras, ou então omitiria algumas coisas, talvez apenas me limitasse a sorrir e disse-se para esperar mais um pouco, tudo a seu tempo, não sei, sinceramente não sei.
Saí pelo portão de sempre, antes do toque de saída, e não voltei a pé para casa como antes entre “um grupo de raparigas e rapazes”, fui de carro, sozinho.